Nossa educação alimentar começa ainda no berço, na amamentação, para ser mais exato.
Quando crescemos, temos contato com diversas pessoas, de faixas etárias e costumes diferentes.
Incrível que, nesse período, é comum “aprendermos” a comer somente aquilo que achamos gostoso. Gostar do que é gostoso não é o problema. O fato é que muitos dos produtos industrializados possuem conservantes e aditivos químicos a fim de manter ou mesmo melhorar o sabor. E tais aditivos podem trazer conseqüências quando consumidos em excesso, ou a longo prazo.
E mesmo alguns alimentos de preparo natural também devem ter seu consumo controlado devido a problemas de peso ou doenças.
Desta forma, ao longo da vida acabamos por criar uma “educação alimentar” que nem sempre é aquela mais indicada por nutricionistas. Enquanto os problemas não aparecem, nos “esquecemos” disso. Mas quando o peso, a hipertensão, diabetes ou mesmo problemas de saúde mais graves aparecem, aí “a coisa pega” e todos vêem-se loucos para encontrar uma solução, indo a médicos, nutricionistas, farmacêuticos, pais-de-santo e o que mais houver pela frente!
E se tivéssemos nos reeducado antes do problema aparecer, ou seja, da bomba estourar… Tudo seria mais fácil, não?
Não é bem melhor a idéia de uma alimentação mais moderada sempre do que, de repente, ter que “cortar da dieta” várias coisas que amávamos comer antes, muitas vezes para sempre?
- A seguir, um artigo publicado na revista NUTRIÇÃO EM PAUTA:
Muitos estudos publicados sugerem restrição rigorosa de calorias para o tratamento da obesidade. Concomitantemente, descobertas, dúvidas e contradições aparecem. Esse estudo vai observar o grau de eficácia do tratamento de pacientes com sobrepeso e obesidade através de reeducação alimentar que utiliza uma dieta moderadamente hipocalórica baseada na Dieta do Mediterrâneo, baixa ingestão de gorduras saturadas, substituição de alimentos pouco nutritivos por alimentos mais ricos nutricionalmente e menos calóricos e incentivo a um estilo de vida menos sedentário.
A obesidade, dentre as patologias nutricionais, é a que mais tem apresentado aumento de incidência, não apenas em países ricos, mas, também, nos países em desenvolvimento (Guerra et al, 2001). Atualmente, está sendo considerado o maior problema de saúde pública, representando uma grande ameaça para a saúde e qualidade de vida, (Hill et al, 2000) sendo que, grande parte da população obesa tem a infância como uma de suas principais vias (Cintra; et al, 2001). A obesidade é a alteração do estado nutricional acompanhada por um aumento marcante do número de células adiposas. Não se sabe se o estímulo para esse aumento do número de células adiposas é nutricional, endócrino, comportamental, genético ou alguma associação dessas combinações (Coppini & Waitzberg, 2000).
A provável fisiopatologia da obesidade envolve: comer mais (particularmente gorduras); queimar menos calorias; fazer gorduras mais facilmente e oxidar menos gorduras. (Halpern, 2002).
No Brasil, em 1996, a porcentagem da população adulta com diagnóstico de sobrepeso e obesidade era de 41,5% (Guerra et al, 2001). Hoje há, aproximadamente, 250 milhões de obesos e 500 milhões de pessoas com sobrepeso no mundo (Pérusse, 2002). Nos Estados Unidos se dispõe de dados que apontam que toda a população será obesa até o ano de 2230 (Foreyt, 2002).
A partir de 1985 a obesidade foi considerada pelo National Institutes of Health como doença multifatorial, desenvolvida e mantida a partir de diferentes fatores de riscos mórbidos como: hipertensão, diabetes, alterações neuroendócrinas e no perfil lipídico (dislipidemias), câncer, problemas cardiovasculares, alterações posturais, bioquímicas e comportamentais (Guerra et al, 2001). Ela é um importante determinante de DCV (Doenças Cardiovasculares).
Uma considerável evidência aponta que a disfunção renal, caracterizada por aumento de reabsorção tubular de sódio, disputa um papel chave no aumento da pressão em indivíduos obesos. A obesidade tem um forte efeito no metabolismo das lipoproteínas, considerando-se os diferentes grupos étnicos. O aumento de peso é um determinante de níveis altos de triglicérides, elevação do LDL-c e redução do HDL-c. É forte a conexão entre obesidade e desorganização generalizada do metabolismo, na qual, a resistência à insulina é um indicador (Krauss et al, 1998).
A reeducação alimentar se apresenta, atualmente, como a mais apropriada quando o objetivo preconiza o controle da obesidade ou a melhora do estado geral e da saúde e, na prática significa: aprender a encarar a alimentação por um novo ponto de vista, sem medos ou ansiedade, escolhendo os alimentos adequados em quantidade e qualidade. O objetivo não é impor diretamente uma nova forma de se alimentar, mas, sim, investigar os hábitos alimentares dos pacientes e propor mudanças, tentando, sempre e, acima de tudo, adaptar seus hábitos de vida, condição socioeconômica e padrões alimentares.
Outro fator importante nesse processo é trabalhar com a quantidade dos alimentos. Para que sejam obtidos resultados favoráveis nesse aspecto, torna-se importante ter a consciência plena que é um processo a médio prazo para permitir a ocorrência de adaptações psicológica e fisiológica resultando, também, na adaptação do metabolismo orgânico, assim, acostuma-se ou satisfaze-se com quantidades menores de determinados alimentos (Gambarini & Dâmaso, 2001).
O exercício e a dieta vêm sendo utilizados por várias décadas como recursos para a minimização e/ ou controle da obesidade, seja esta indesejada por motivos de saúde ou por modismo. O risco coronariano é duas vezes maior em sedentários do que em indivíduos ativos. (Guerra et al).
A população dos países do Mediterrâneo Europeu tem uma longa expectativa de vida, fato esse documentado pela estatística de mortalidade da OMS (1996), pois, esse modelo de dieta reduz o risco de câncer e ainda tem efeitos cardioprotetores (Lasheras et al, 2000), além de ser uma pirâmide alimentar atrativa pelo famoso paladar e os já mencionados benefícios à saúde (Willet et al, 1995). Sua base consiste em: frutas, vegetais, comidas do mar, legumes e cereais. O azeite de oliva extra virgem é a principal fonte de gordura. O leite e seus derivados são ingeridos com moderação (Trichopoulou & Vasilopoulou, 2000). As aves e carnes vermelhas são consumidas em pequenas quantidades, nenhum ou até quatro ovos são consumidos por semana, assim como o vinho tinto que é consumido normalmente durante as refeições (Willet el al, 1995).
http://www.nutricaoempauta.com.br/lista_artigo.php?cod=213

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